24 de mar de 2010

Não vou parar de lutar.

Ah! que dias difíceis...
Ah! que dias preciosos!

Só peço a Jesus que passe comigo o que eu tiver que passar, mesmo que seja o vale da sombra da morte.

Nunca senti tanto medo.

Jamais estive tão insegura, meu coração está aos pedaços.

Eu não vou murmurar, mas eu vou aproveitar pra me refugiar em Jesus, e desfrutar da sua presença, seu cheiro...seu abraço...sua voz.

Esta é a musica que uma amiga me enviou ontem pelo Orkut. Mensagem da parte de Deus pro meu coração, só posso agradecer:

"O que vem pra tentar ferir
O valente de Deus
Em meio às suas guerras?

Que ataque é capaz
De fazê-lo olhar pra trás
E querer desistir?

Que terrível arma é
Usada pra tentar paralisar sua fé?

Cansaço, desânimo
Logo após uma vitória
A mistura de um desgaste com um contra-ataque do mal
A dor de uma perda, ou a dor da traição
Uma quebra de aliança, que é raiz da ingratidão

Se alguém está assim, preste muita atenção
Ouça o que vem do coração de Deus:

Em tempos de guerra, nunca pare de lutar
Não baixe a guarda, nunca pare de lutar
Em tempos de guerra, nunca pare de adorar
Libera a Palavra, profetiza sem parar

O escape, o descanso, a cura
A recompensa vem sem demora"

19 de mar de 2010

Eles fazem "Buuh!"

Eles fazem "Buh!"
Às dores do passado dei o nome de "fantasmas". Porque as vezes é isso que eu sinto que são. Mortos que vez ou outra parecem ressurgir, e por vezes...assustam.
Se você tem fantasmas, eu não sei. Se você me entende sei menos ainda.
Mas eu tenho fantasmas. E ontem eles fizeram "buh!" pra mim. Malditos fantasmas...por que despertam?
Por algum motivo Deus permite que isso aconteça. " Oh Deus, eu tenho certeza, eu ouvi! Eles fizeram "buh!" pra mim..." Agora eu me acalmo, sento, respiro e olho pra trás...e vejo: estão de fato, mortos, não são mais dores, não são mais traumas, não são mais vergonhas, humilhações, desespero de alma. São apenas...cicatrizes. Feridas curadas, que embora curadas não se tornam inexistentes...ficam as marcas.
Deus eu não quero me acostumar com isso! Todos os dias em que eu não paro pra ouvir Tua voz dizer: "Minha graça te basta", estou reabrindo as portas para essas assombrações, na minha alma.
E com isso...eu não me acostumo!
Minha primeira postagem.

Há 3 dias que ando com quase incontrolável vontade de chorar. Fato intrigante e incomum para alguém fria e insensível como eu.

Que eu não me acostume!

Bem, vou colar aqui o meu poema preferido. De Marina Colasanti. Esse é o poema que dá título ao Blog.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.